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(era para as músicas aparecerem de sexta, mas, já que não teve música na última, vamos fazer uma pequena mudança na nossa programação)

Nas últimas duas semanas eu comentei o quanto gosto de músicas instrumentais e da liberdade interpretativa (embora, ao mesmo tempo, ligeiramente limitada) que elas proporcionam. Mas a verdade é que também pode acontecer o contrário: de uma música me tocar principalmente por causa da letra – ou mesmo só por causa de um verso. Foi o que aconteceu quando eu ouvi pela primeira vez o último verso de In the aeroplane over the sea, do The Neutral Milk Hotel.

Como a maioria dos relacionamentos, acho que esse carinho teve muito a ver com timing: aconteceu de eu topar com essa música justamente quando eu estava em um período de me questionar sobre a validade de alguns dos meus pequenos atos, de algumas de minhas escolhas bruscas. Um momento de questionar quem eu sou e quem eu deveria ser (assunto que já foi pisado e repisado nesses últimos dias por aqui) e que essas perguntas foram, de alguma forma, extrapoladas para assuntos mais gerais, como o sentido da vida, o sentido da morte.

Eu, que tenho mania de enxergar conexões, vi tudo isso em Todos os homens são mortais, em Mr. Nobody, nesta música. Tem uma parte dela que diz:

And one day we will die and our ashes will fly from the aeroplane over the sea,

But for now we are young let us lay in the sun,

And count every beautiful thing we can see

(E um dia morreremos e nossas cinzas voarão de um avião sobre o mar

Mas por enquanto somos jovens, vamos deitar no sol

E contar todas as coisas bonitas que podemos ver)

Mas, mais importante que este trecho, ou que todo o resto da letra, para mim, são os últimos versos, que ficaram ressoando na minha cabeça por um bom tempo.

How strange it is to be anything at all.

(Que estranho é ser qualquer coisa)

E em alguns dias, não todos (definitivamente não todos), eu ainda acrescentaria, como o John Green: how strange and lovely it is to be anything at all. Que coisa mais estranha (principalmente estranha) e mais adorável pode ser ser qualquer coisa nessa vida.

Já começo me desculpando: não me levem a mal, eu gosto de palavras. (Tenho até um blog. Der.) Mas tem alguma coisa em músicas instrumentais que eu não sei bem o que é. Acho que elas acabam me tocando mais. Talvez por eu ter a oportunidade de, nelas, encaixar as palavras que eu quiser dentro de determinado tema. Acho que por isso, elas acabam sendo a companhia ideal: me dão uma liberdade limitada, que não me aprisiona, mas também não me deixa despencar no vazio.

Mogwai é uma banda escocesa com nome de Gremlins: como não amar? Eu adoro as músicas deles. Adoro os títulos (tenho uma queda pelos títulos, sim): todos, tenho a impressão, completamente aleatórios. (Amamos aleatoriedade sim ou sim?). Mas também, de certa forma, talvez, nem tão aleatórios assim.

I know you are but what am I  é uma das minhas favoritas. Acho o título bonito: traduzido literalmente, eria algo como: eu sei que você é, mas quem sou eu?. Mas essa também é uma frase para responder algum tipo de xingamento. Sabe aquela coisa de: “seu bobo!”, “você que é!”? O título dessa música também é uma expressão usada mais ou menos como esse nosso “você que é!” (imaginando alguém mostrando a língua)

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Caso o BEDA sobreviva mais uma semana, a sexta foi eleita o dia do comentário / indicação musical. Venha dançar na balada das Argolinhas. (sqn haha)

Smashing_Pumpkins_-_Mellon_Collie_And_The_Infinite_SadnessO que veio primeiro, a música ou a dor? Eu ouvia a música porque estava infeliz? Ou estava infeliz porque ouvia a música? Esses discos todos transformam você numa pessoa melancólica?*

É a pergunta que o Rob Gordon faz logo no começo de Alta Fidelidade, escrito pelo Nick Hornby (que depois virou filme dirigido pelo Stephen Frears). É engraçado, mas músicas têm um papel meio ambíguo na minha vida: não é uma atividade que eu não consigo fazer isolada das outras. Diferente de ler um livro ou assistir a um filme, que me fazem parar tudo o que eu estiver fazendo, eu sempre acabo colocando uma música para me acompanhar em alguma outra atividade (nunca andando na rua, porque fones de ouvido me dão uma impressão muito forte de que eu vou morrer atropelada). Se esse hábito, por um lado, talvez acabe desmerecendo um pouco o papel da música na minha vida, por estar quase sempre em plano secundário, algumas músicas acabam ficando tão intimamente relacionadas a um momento ou a uma pessoa, que muitas delas acabam guardando mesmo uma carga emocional mais alta do que a maioria dos livros que li ou dos filmes que vi.

“Mellon Collie and the Infinite Sadness” foi uma música que me pegou logo de cara. Sabe começar a ouvir uma música e sentir uma espécie de arrepio? Eu acho ela tão bonita. Eu sou uma pessoa muito apegada a palavras e não consigo me desvencilhar do título da música (já que a música não tem letra). Ela é a música de abertura do álbum de mesmo nome do Smashing Pumpkins e acho que não teria forma mais bonita de começar um álbum que é tão bacana. É um álbum duplo: o primeiro disco é o Dawn to dusk (Amanhecer ao anoitecer) e o segundo é o Twilight to starlight (Crepúsculo à luz das estrelas).

A música é essa:

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*HORNBY, Nick. Alta fidelidade. Rio de Janeiro, Rocco: 1998. pág. 28.

Uma mistura de guache e gauche.

Rebobinando

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