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          Sempre que ia visitar um lugar antigo, como um Palácio da Justiça ou uma Prefeitura, me falavam da salle des pas perdus, cuja tradução literal é: a sala dos passos perdidos. Sem saber muito bem o que era, ficava imaginando um local misterioso, mal-assombrado, em que a gente conseguisse ouvir passos sem dono, almas que nunca conseguiram chegar aonde queriam, andando em círculos, perdidas, procurando luz. Talvez um grande corredor pelo qual alguns presos tinham de passar antes de sua execução. Devia ser um lugar para ir e ser esquecido, como se o chão de pedra pudesse engolir a nossa identidade: o vestíbulo do lugar para onde vão os desaparecidos, sem deixar nenhum rastro. Em dias mais otimistas, ainda criei a teoria de que era um lugar para a gente ir principalmente quando não quisesse mais se encontrar, quando quisesse passear olhando vitrais do século XI ou algo do tipo, sem realmente se importar com eles ou consigo mesmo: só com o reflexo colorido que eles deixavam no chão. Olhando para os tais vitrais do século XI e seus reflexos, talvez nos déssemos conta de que somos tão pequenos que a maioria de nós não deixa nenhuma marca capaz de sobreviver tantos séculos. (não seria o mundo uma grande sala dos passos perdidos?)

            Só muito depois é que fui descobrir, através do Sob o Céu de Paris, que  o nome nada tem a ver com o fato de ser antigo: a tal salle des pas perdus é uma espécie de sala de espera que existe em espaços públicos, em geral burocráticos e administrativos (como a prefeitura ou o palácio de justiça), mas também em estações de trem, por exemplo. Como quem tem de esperar de pé por alguma coisa importante costuma andar de lá para cá, ficou o nome: é um lugar onde as pessoas, tendo de esperar, ficam andando, sem sair do lugar.

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Coccinelle: substantivo feminino. 1. joaninha. 2. fusca!

               Confesso: sou o tipo de pessoa que não entende absolutamente nada de carros. Mesmo. Escort, corsa, gol são palavras que simplesmente não encontram nenhuma correspondência visual dentro da minha cabeça; tirar carta e comprar um carro nunca estiveram entre as minhas prioridades. Gosto bastante de usar o transporte público, apesar de todos aqueles pesares que a gente conhece, e voltar para casa lendo um livro, conversando com algum senhorzinho simpático ou com uma pessoa esquisita que resolve puxar assunto e eventualmente me mostra a poesia erótica que ela escreveu (sério), ou só observar as outras pessoas e a paisagem correndo pela janela, no caso dos ônibus.

                 Talvez seja justamente esse meu gosto pelo transporte popular ou a minha completa falta de noção automobilística, talvez a culpa seja dos anos que eu passei jogando o jogo do fusca azul, mas, para mim, o fusca é o carro mais legal do mundo (a exceção, talvez, seja um DeLorean – mas só se ele for capaz de se movimentar no tempo). Não existe carro com mais personalidade, simpatia e histórias para contar do que ele, tenho a impressão. Além do mais, como não amar um carro com o nome de “joaninha”?

Aqui (Wikipedia, eu sei, desculpa) tem até uma lista dos apelidos que o carro ganhou em outras línguas.

Uma mistura de guache e gauche.

Rebobinando

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